Agência Minas Gerais | Cirurgias eletivas ficam mais rápidas e ampliam o atendimento aos mineiros em todo o estado
Houve um tempo em que realizar uma cirurgia eletiva pela rede pública, especialmente no interior de Minas Gerais, significava enfrentar longos meses de espera e deslocamentos para grandes centros urbanos. Esse cenário vem mudando de forma consistente nesta gestão, a partir do fortalecimento da rede hospitalar regional promovido pelo Governo de Minas, por meio do programa “Opera Mais, Minas Gerais”.
Moradora de Taiobeiras, no Norte do estado, a doméstica Aclenizia Tiago, de 51 anos, é um retrato desse novo momento da saúde pública mineira. Após crises de dor abdominal, ela recebeu o diagnóstico de cálculo na vesícula e precisou passar por cirurgia. “Fui parar no hospital, recebi o encaminhamento e, em 15 dias, já fui chamada para a cirurgia”, relata. Hoje, Aclenizia está em recuperação.
A experiência de Aclenizia reflete uma política pública estruturante, baseada na descentralização dos investimentos e no fortalecimento dos hospitais de médio porte no interior. A estratégia tem permitido que milhares de mineiros realizem exames, consultas e cirurgias mais perto de casa, reduzindo filas, tempo de espera e custos com deslocamento.
Para o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, o Opera Mais se consolidou como uma das políticas públicas mais bem-sucedidas da saúde em Minas. “O programa conseguiu reduzir de forma rápida o tempo de espera e reorganizar a rede hospitalar em todo o estado. Cirurgias que antes levavam anos para serem realizadas, hoje acontecem em poucos meses e, em muitos casos, em poucos dias”, afirmou.
A reorganização da rede assistencial também trouxe ganhos expressivos na relação entre diagnóstico e tratamento, especialmente nas cirurgias eletivas, que, embora não sejam de urgência, são fundamentais para a qualidade de vida, a prevenção de agravamentos clínicos e a redução de sequelas.
Retomada das cirurgias após a pandemia
Criado em 2021, o Opera Mais surgiu como resposta direta ao represamento de cirurgias durante a pandemia da covid-19 e se consolidou como um dos principais programas de ampliação do acesso à saúde no estado. Desde o início da iniciativa até novembro de 2025, Minas Gerais já contabiliza mais de 3,5 milhões de cirurgias eletivas realizadas pelo programa.
Para viabilizar esse avanço, o Governo de Minas já destinou mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos diretos, ampliando a capacidade instalada da rede SUS, qualificando o financiamento dos procedimentos e estimulando a produção cirúrgica em todas as regiões do estado.
Os recursos são repassados de forma descentralizada, priorizando municípios de pequeno e médio porte e fortalecendo a lógica de regionalização do atendimento. Com isso, hospitais que antes tinham atuação restrita passaram a realizar desde procedimentos ambulatoriais até cirurgias com necessidade de internação, garantindo maior resolutividade local.
“A descentralização dos recursos permitiu levar cirurgias para municípios pequenos, que tinham hospitais pouco utilizados, mas que hoje atendem toda uma região e ganharam importância na rede pública de saúde”, destacou Baccheretti.
Resultados no Norte de Minas
No Norte de Minas, os repasses do Opera Mais somam cerca de R$ 120 milhões. Taiobeiras está entre os municípios beneficiados. Antes do programa, grande parte das cirurgias eletivas era encaminhada para Montes Claros, a 262 quilômetros de distância, o que ampliava o tempo de espera e sobrecarregava a rede de referência.
Com o fortalecimento da estrutura local, a realidade mudou de forma expressiva. Desde a adesão ao programa, Taiobeiras já realizou mais de 7 mil cirurgias eletivas, com repasses superiores a R$ 8 milhões, atendendo toda a região do Alto Rio Pardo e parte do Vale do Jequitinhonha.
Segundo o secretário municipal de saúde de Taiobeiras, Marlon Cardoso Ramos, o impacto do programa é visível na rotina do município, especialmente na redução do tempo de espera e na ampliação da oferta de especialidades.
“O tempo médio de espera caiu de cerca de seis meses para aproximadamente 60 dias. Além disso, o município passou a ofertar novas especialidades, como urologia e otorrinolaringologia, o que ampliou significativamente a capacidade de atendimento local”, destacou.
A reorganização da rede no município também se reflete nos indicadores por especialidade, conforme mostra o infográfico, abaixo:
Montes Claros segue como referência para procedimentos de alta complexidade, mas, com o fortalecimento da rede regional, a maior parte das cirurgias eletivas passou a ser realizada mais próxima dos pacientes. O resultado é mais agilidade no atendimento, menor tempo de espera e acesso ampliado à saúde pública de qualidade em todas as regiões de Minas Gerais.
